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mma proteção

Quem vê uma luta de MMA imagina que os atletas possuem pouquíssima proteção. O que se vê são luvas pequenas e o protetor bucal. Não parece ser o bastante para realmente proteger um competidor, mas a verdade é que existe uma série de itens de segurança que vão até mesmo além do que pode ser visto durante uma luta.

As luvas são conhecidas por todos, mas sua função não. Muito mais do que proteção ao corpo do adversário, as luvas servem para proteger as mãos de quem as usa. Os ossos das mãos são mais fracos do que os ossos do crânio, por exemplo, sendo que este é um dos locais mais atingidos durante a luta. No Box, antes do uso regular das luvas, era normal que os esportistas sofressem fraturas (inclusive expostas) nas mãos. Agradecemos as luvas por manterem os atletas com mãos para mais uma luta!

O protetor bucal tem uma função clara: proteger os dentes. Mas não é a única e nem a mais importante. A peça é capaz de absorver parte do choque dos golpes recebidos na mandíbula, evitando que o impacto seja transferido inteiramente para a caixa craniana. Golpes desse tipo fazem o cérebro balançar e bater contra as paredes internas do crânio. Quanto menos impacto menos lesões cerebrais e maior longevidade dentro do esporte para os atletas.

Quem acompanha a luta desde o começo da transmissão tem a chance de ver os atletas entrarem no local, acompanhados por sua comissão e fazer uma parada antes de entrar na luta. Nessa parada, eles recebem a aplicação de uma espécie gel em seus rostos. Está é a vaselina, ela é usada para que os golpes do oponente deslizem pela lateral do rosto, evitando impactos tão diretos e cortes pelo contato da luva com a pele.

Nessa parada, o atleta também da uma batida em sua bermuda para mostrar que está com a coquilha. O item é um protetor para os genitais e neste não há segredo, a idéia é proteger a região de possíveis impactos. As regras também ajudam nessa parte e proíbem golpes na região.

Outros movimentos também são proibidos para aumentar a segurança. O “bate-estaca” consiste em erguer o oponente e arremessá-lo no chão e se proibiu que fosse aplicado com a cabeça ou pescoço do oponente atingindo o chão, pela integridade da coluna e cérebro. Dedos nos olhos, agarrar a garganta e golpes atrás da cabeça são apenas alguns dos outros movimentos proibidos.

E a proteção aos atletas não termina com o fim da luta. Aqueles que sofrem nocautes ou certas lesões passam por um período de suspensão médica, de no mínimo 30 dias, em que não podem marcar novas lutas. Em uma parte desse tempo o contato é proibido mesmo nos treinos. Os atletas ainda recebem a recomendação de ter o atestado de um neurologista antes de voltar para as atividades.

No geral, a segurança do cérebro aparece como ponto forte no MMA. Essa é a ação contra um velho fantasma dos esportes de contato com permissão para impacto na cabeça, as lesões permanentes ao cérebro. O esporte, antes símbolo da falta de barreiras e regras, cada vez mais blinda seus atletas. E a blindagem é maior do que os olhos podem ver.